A SOP mudou de nome? O que está proposto e o que muda para você

A SOP mudou de nome? Veja o novo nome proposto, a SOMP, por que a mudança foi proposta, quem decidiu e o que muda para você no diagnóstico.

Por Equipe Sophy Publicado em 5 min de leitura

Neste artigo
  1. Qual é o novo nome da SOP?
  2. Por que a SOP mudou de nome?
  3. Desde quando se fala em mudar o nome?
  4. Quem decidiu o novo nome?
  5. O que muda para você, e o que continua igual?
  6. Todo mundo concorda com o novo nome?
  7. O que perguntar à sua médica?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Sim, existe um novo nome proposto para a SOP: SOMP, síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ou PMOS em inglês, escolhido por um consenso global publicado em 2026 [1]. A condição é a mesma, e os critérios de diagnóstico não mudaram [2]. A mudança ainda está sendo implantada, e é por isso que falamos em nome proposto [1].

Qual é o novo nome da SOP?

Em português, SOMP: síndrome ovariana metabólica poliendócrina. Em inglês, PMOS: polyendocrine metabolic ovarian syndrome. É o novo nome da condição que antes se chamava SOP, síndrome dos ovários policísticos [1].

Os termos escolhidos foram poliendócrino, metabólico e ovariano, para refletir uma condição que envolve vários sistemas do corpo [1]. O nome novo deixa de fora a palavra cistos e inclui as disfunções endócrina, metabólica e ovariana [1].

Na hora de escolher, o grupo deu prioridade a um nome preciso, em vez de manter a sigla PCOS ou adotar um nome genérico [1]. A implantação foi pensada como evolução, e não como transformação [1].

Por que a SOP mudou de nome?

Segundo o consenso, o nome antigo tinha estes limites [1]:

  • sugeria cistos patológicos nos ovários, o que é impreciso;
  • escondia os aspectos hormonais e metabólicos da condição;
  • contribuía para o diagnóstico demorado e para o cuidado fragmentado;
  • contribuía para o estigma.

Sobre os cistos: o que aparece no ultrassom são muitos folículos, parados em uma fase do crescimento, e não cistos patológicos [2]. O nome antigo também reforçou uma visão centrada nos ovários e na fertilidade de uma condição que dura a vida toda [2].

Pacientes e profissionais de saúde também apontaram o problema. Em uma pesquisa internacional, disseram que o nome não mostrava a amplitude da condição e era confuso [3]. Em 2023, 85,6% das pacientes e 76,1% dos profissionais concordaram que o nome deveria mudar, e viram mais vantagens do que desvantagens na mudança [3].

Há ainda um pano de fundo prático. A diretriz internacional de 2023 parte do reconhecimento de que o diagnóstico ainda demora e de que as necessidades de quem vive com a condição não estão sendo bem atendidas [4].

Desde quando se fala em mudar o nome?

Não é uma ideia de agora. Uma revisão com busca sistemática reuniu 30 artigos, publicados de 1995 a 2026, sobre as tentativas de mudar o nome PCOS [5]. O nome foi questionado várias vezes ao longo desse tempo [5]. As críticas eram científicas, porque não há aumento de cistos nos ovários e o nome ignora a amplitude da condição [5]. Eram também práticas, ligadas a classificação, pesquisa, registro de dados, educação, conhecimento dos profissionais, diagnóstico demorado e insatisfação com o cuidado [5].

Durante muito tempo, as propostas vieram de opiniões isoladas de especialistas e não ganharam força [5]. O que mudou em 2026 foi o método: um processo global, conduzido em conjunto com pacientes [5].

Quem decidiu o novo nome?

Ninguém decidiu sozinho. O processo reuniu 56 organizações acadêmicas, clínicas e de pacientes [1]. Pesquisas em várias rodadas ouviram mais de 14 mil pessoas com a condição e profissionais de saúde de todas as regiões do mundo [1]. Também houve rodadas de votação e oficinas em grupo para chegar ao nome [1].

Os princípios que guiaram a escolha foram precisão científica, clareza, evitar o estigma, adequação a diferentes culturas e viabilidade de implantação [1]. O resultado foi um consenso de 97% em torno do nome PMOS [5].

O que muda para você, e o que continua igual?

O que continua igual. Em adultas, o diagnóstico segue pedindo dois de três sinais: ciclos irregulares ou ovulação alterada, excesso de andrógenos, e AMH elevado ou muitos folículos no ultrassom dos ovários [2]. Se você já tem um diagnóstico de SOP, a conversa com a sua médica parte do mesmo ponto de antes.

O que muda. O quadro de referência [2]. A SOMP passa a ser descrita como uma condição de vida inteira, endócrina e metabólica, e não só dos ovários e da fertilidade [2]. Os autores de uma revisão voltada a ginecologistas e obstetras afirmam que esses profissionais estão em posição de melhorar o diagnóstico mais cedo, a orientação e o cuidado coordenado da adolescência em diante [2].

O que acontece na prática. A Sociedade Europeia de Ginecologia recomenda uma transição gradual, com uso prolongado dos dois nomes e atenção à comunicação com as pacientes [6]. Por isso, SOP e SOMP devem aparecer lado a lado por um tempo, e você pode continuar encontrando e usando SOP. Se tiver dúvida sobre como o seu diagnóstico vai aparecer nos seus laudos e receitas, pergunte à sua médica.

Para ver o assunto resumido, passe pela página SOP ou SOMP?.

Todo mundo concorda com o novo nome?

Não. Um artigo publicado em 2026 argumenta que o nome PMOS levanta dúvidas conceituais, biológicas e clínicas [7]. Segundo os autores, o nome novo pode subestimar o papel central da disfunção dos ovários, e o consenso, por si só, não garante que o nome corresponde à biologia [7]. Eles lembram que ainda está em debate se a mudança melhora a utilidade clínica [7].

Do outro lado, a posição da sociedade europeia apoia uma transição estruturada e centrada na paciente [6], e a maioria das pacientes ouvidas em 2023 concordou que o nome deveria mudar [3].

É por isso que dizemos nome proposto. A discussão científica segue aberta, e os critérios de diagnóstico continuam os mesmos [2].

O que perguntar à sua médica?

O nome é a parte mais visível da mudança, mas a conversa que importa é a que acontece na consulta. Algumas perguntas podem ajudar:

  • Como o meu diagnóstico vai aparecer nos meus laudos e receitas daqui para a frente?
  • Quais dos meus sinais fazem parte do quadro: ciclo, pele, cabelo, insulina?
  • Que acompanhamento faz sentido para mim agora?

Leve essas perguntas e converse com a sua médica sobre o seu cuidado. Para organizar o que dizer, veja como preparar a consulta.

Perguntas frequentes

A SOP mudou de nome?

Há um novo nome proposto: SOMP, síndrome ovariana metabólica poliendócrina (PMOS, em inglês), escolhido por um consenso global publicado em 2026. A mudança está em implantação, com um período de transição [1].

Qual é o novo nome da SOP?

SOMP, sigla de síndrome ovariana metabólica poliendócrina. Em inglês, PMOS. O nome deixa de fora a palavra cistos e inclui as disfunções endócrina, metabólica e ovariana [1].

Por que a SOP mudou de nome?

Segundo o consenso, o nome antigo sugeria cistos patológicos nos ovários, escondia os aspectos hormonais e metabólicos e contribuía para diagnóstico demorado, cuidado fragmentado e estigma [1].

O que muda no meu diagnóstico?

Os critérios de diagnóstico continuam os mesmos [2]. O que muda é o olhar sobre a condição, vista como endócrina e metabólica, e não só dos ovários e da fertilidade [2]. Pergunte à sua médica como o seu diagnóstico vai aparecer nos seus laudos e receitas.

Posso continuar usando o nome SOP?

Sim. A Sociedade Europeia de Ginecologia recomenda uma transição gradual, com uso prolongado dos dois nomes [6].

Todo mundo concorda com o novo nome?

Não. Um artigo de especialistas publicado em 2026 questiona se o nome PMOS reflete a biologia da condição [7]. Já em uma pesquisa de 2023, a maioria das pacientes e dos profissionais ouvidos concordou que o nome deveria mudar [3].

Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.

Referências

Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.

  1. Referência 1: Teede HJ, Khomami MB, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet (London, England), 2026.

  2. Referência 2: Bahri-Khomami M, Hoeger KM, et al. From polycystic ovary syndrome to polyendocrine metabolic ovarian syndrome: what obstetricians and gynecologists need to know. American journal of obstetrics and gynecology, 2026.

  3. Referência 3: Teede HJ, Moran LJ, et al. Polycystic ovary syndrome perspectives from patients and health professionals on clinical features, current name, and renaming: a longitudinal international online survey. EClinicalMedicine, 2025.

  4. Referência 4: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.

  5. Referência 5: Teede HJ, Saadati S, et al. From polycystic ovary syndrome to polyendocrine metabolic ovarian syndrome: a systematic search and historical account of the renaming of polycystic ovary syndrome. Fertility and sterility, 2026.

  6. Referência 6: Castelo-Branco C, Vujovic S, et al. European society of gynecology (ESG) position paper on the proposed terminology change from PCOS to PMOS. Gynecological endocrinology : the official journal of the International Society of Gynecological Endocrinology, 2026.

  7. Referência 7: Longo M, La Marca A. PCOS is here to stay: does 'PMOS' truly reflect biological reality? Reproductive biomedicine online, 2026.

Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.