O que é a SOMP, o novo nome proposto para a SOP?
O que é SOMP? É o novo nome proposto para a SOP, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina. Veja o que significa, o que muda e o que segue igual.
Neste artigo
A SOMP, sigla de síndrome ovariana metabólica poliendócrina, é o novo nome proposto para a SOP, a síndrome dos ovários policísticos [1]. Não é uma doença nova: é a mesma condição hormonal e metabólica, que afeta cerca de uma em cada oito mulheres [1]. O que muda é o nome e o jeito de olhar para ela [2].
O que significa a sigla SOMP?
SOMP é a forma em português de PMOS, do inglês polyendocrine metabolic ovarian syndrome. Os três termos do nome foram escolhidos porque descrevem uma condição que envolve vários sistemas do corpo, e não só os ovários [1]. Na prática:
- Poliendócrina: mais de um hormônio participa, como a insulina e os andrógenos, e essas mudanças estão por trás das manifestações da condição [3].
- Metabólica: a condição está associada à resistência à insulina [2].
- Ovariana: a ovulação pode ficar alterada [3]. Os ovários continuam no nome, mas deixam de ser o único foco [1].
Por que a SOP ganhou um nome novo?
Segundo o consenso, o nome antigo era impreciso: sugeria cistos patológicos nos ovários, escondia os aspectos hormonais e metabólicos da condição e contribuía para diagnóstico demorado, cuidado fragmentado e estigma [1].
Sobre os cistos: o que aparece no ultrassom são muitos folículos, parados em uma fase do crescimento, e não cistos patológicos [2].
O nome pesa porque a condição é comum: o consenso fala em uma em cada oito mulheres [1], e outra revisão cita de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva [2]. Mesmo assim, a diretriz internacional de 2023 parte do reconhecimento de que o diagnóstico ainda demora a sair e de que as necessidades de quem vive com a condição não estão sendo bem atendidas [4]. Uma revisão recente descreve a SOMP como subdiagnosticada e registrada de forma irregular na rotina dos consultórios [2].
A escolha do nome seguiu um processo em várias etapas. Participaram 56 organizações acadêmicas, clínicas e de pacientes, e pesquisas ouviram mais de 14 mil pessoas com a condição e profissionais de saúde de todas as regiões do mundo [1]. O consenso em torno do nome PMOS chegou a 97% [5].
O desejo de mudar também veio de quem vive com a condição. Em uma pesquisa internacional de 2023, 85,6% das pacientes e 76,1% dos profissionais concordaram que o nome deveria mudar [6]. As palavras mais apoiadas para entrar no nome novo foram “endócrino” e “metabólico” [6].
O que muda com a SOMP, e o que continua igual?
O que continua igual. É a mesma condição que antes se chamava SOP [3], e os critérios de diagnóstico não mudaram [2].
O que muda. O olhar. O nome antigo reforçava uma visão centrada nos ovários e na fertilidade de uma condição que dura a vida toda e é, ao mesmo tempo, endócrina e metabólica [2].
O que ainda está em andamento. A mudança não aconteceu de uma vez. O plano de implantação inclui um período de transição, ações de educação e ajustes nos sistemas de saúde e na classificação de doenças [1]. É por isso que dizemos que o nome é proposto, e é normal encontrar SOP e SOMP lado a lado em textos, laudos e consultas por um tempo.
Para ver o assunto resumido, passe pela página SOP ou SOMP?.
Quais são os sintomas da SOMP?
A SOMP reúne características hormonais e metabólicas diversas [1]. Entre os sinais ligados a ela estão:
- ciclos irregulares ou ovulação alterada [2, 3];
- acne, excesso de pelos e queda de cabelo, sinais ligados ao excesso de andrógenos [7];
- resistência à insulina [2];
- efeitos na saúde emocional, que a diretriz internacional descreve como muito frequentes [4].
Nenhum desses sinais, sozinho, fecha o diagnóstico, que pede pelo menos dois de três critérios [2]. Anotar o que você sente mês a mês é um jeito de levar esse conjunto para a consulta, e o diário de sintomas existe para isso.
A SOMP também não se resume aos ovários e à fertilidade [2]. A diretriz internacional de 2023 reforça o reconhecimento de características mais amplas: fatores de risco metabólicos, saúde cardiovascular, apneia do sono, efeitos emocionais muito frequentes e atenção especial na gravidez [3, 4]. A ideia não é assustar, e sim mostrar por que vale ter um acompanhamento que olhe o conjunto, junto com a sua médica.
Como a médica confirma a SOMP?
Os critérios são os mesmos da SOP. Em adultas, o diagnóstico pede dois de três sinais [2]:
- ciclos irregulares ou ovulação alterada;
- excesso de andrógenos, que pode aparecer no corpo (como acne e excesso de pelos [7]) ou nos exames de sangue;
- AMH (hormônio antimülleriano) elevado ou muitos folículos no ultrassom dos ovários.
Para o terceiro item, a diretriz internacional de 2023 passou a aceitar o exame de AMH como alternativa ao ultrassom em adultas [4].
Quem confirma o diagnóstico é a sua médica, olhando o conjunto: a sua história, o exame físico e os exames. Nenhum texto da internet, aplicativo ou teste online faz isso no lugar da consulta.
A SOMP tem cura?
A SOMP é descrita como uma condição crônica [3], que acompanha a pessoa ao longo da vida [2]. Por isso, aqui você não vai encontrar promessa de cura.
O que existe é cuidado contínuo. A diretriz internacional destaca o estilo de vida saudável, o bem-estar emocional, a qualidade de vida e as terapias médicas baseadas em evidências [4]. O que faz sentido para você é uma decisão da sua médica com você.
O que levar para a consulta?
Como os critérios de diagnóstico não mudaram [2], a conversa com a sua médica parte do mesmo ponto de antes. Quem está em transição é o nome. Algumas perguntas podem ajudar:
- Como o meu diagnóstico vai aparecer nos meus laudos e receitas daqui para a frente?
- Quais dos meus sinais fazem parte do quadro: ciclo, pele, cabelo, insulina?
- Que acompanhamento faz sentido para mim agora?
Se você já tem o diagnóstico de SOP, não precisa decidir nada sozinha por causa do nome novo. Leve essas perguntas e converse com a sua médica sobre o seu cuidado. Para organizar o que dizer, veja como preparar a consulta.
Perguntas frequentes
O que é SOMP?
SOMP é a sigla em português de síndrome ovariana metabólica poliendócrina, o novo nome proposto para a síndrome dos ovários policísticos (SOP). É a mesma condição, com um nome que inclui os aspectos hormonais e metabólicos, e não só os ovários [1].
SOMP e SOP são a mesma coisa?
O que significa PMOS?
PMOS é a sigla em inglês de polyendocrine metabolic ovarian syndrome, o nome que saiu de um processo global de consenso publicado em 2026. SOMP é a versão em português [1].
Quem escolheu o novo nome?
Como a médica confirma a SOMP?
Em adultas, o diagnóstico pede dois de três sinais: ciclos irregulares ou ovulação alterada, excesso de andrógenos e AMH elevado ou muitos folículos no ultrassom [2]. A confirmação é sempre da sua médica.
Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.
Referências
Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.
Referência 1: Teede HJ, Khomami MB, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet (London, England), 2026.
PubMed 42119588 (abre em nova aba) DOI10.1016/S0140-6736(26)00717-8 (abre em nova aba)
Referência 2: Bahri-Khomami M, Hoeger KM, et al. From polycystic ovary syndrome to polyendocrine metabolic ovarian syndrome: what obstetricians and gynecologists need to know. American journal of obstetrics and gynecology, 2026.
PubMed 42665241 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.ajog.2026.08.024 (abre em nova aba)
Referência 3: Teede HJ, Vanky E, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome in pregnancy: pathophysiology and outcomes. Nature reviews. Endocrinology, 2026.
PubMed 42249166 (abre em nova aba) DOI10.1038/s41574-026-01261-w (abre em nova aba)
Referência 4: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.
PubMed 37580037 (abre em nova aba) DOI10.1093/humrep/dead156 (abre em nova aba)
Referência 5: Teede HJ, Saadati S, et al. From polycystic ovary syndrome to polyendocrine metabolic ovarian syndrome: a systematic search and historical account of the renaming of polycystic ovary syndrome. Fertility and sterility, 2026.
PubMed 42679945 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.fertnstert.2026.08.1122 (abre em nova aba)
Referência 6: Teede HJ, Moran LJ, et al. Polycystic ovary syndrome perspectives from patients and health professionals on clinical features, current name, and renaming: a longitudinal international online survey. EClinicalMedicine, 2025.
PubMed 40687737 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.eclinm.2025.103287 (abre em nova aba)
Referência 7: Peng H, Jiang J, et al. Anti-androgen therapy in polyendocrine metabolic ovary syndrome (PMOS, formerly PCOS): efficacy, safety, and phenotype-oriented clinical decision-making. Journal of ovarian research, 2026.
PubMed 42482267 (abre em nova aba) DOI10.1186/s13048-026-02201-y (abre em nova aba)
Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.