SOP é com ginecologista ou endocrinologista?

SOP ginecologista ou endocrinologista? Veja quem pode acompanhar, quando entra uma equipe e o que levar para a primeira consulta.

Por Equipe Sophy Publicado em 5 min de leitura

Neste artigo
  1. Ginecologista ou endocrinologista: quem pode acompanhar a SOP?
  2. O cuidado da SOP envolve uma equipe?
  3. Por que o diagnóstico da SOP demora tanto?
  4. E se a SOP começou na adolescência?
  5. O que falar na primeira consulta?
  6. Como saber se a consulta foi boa?
  7. Perguntas frequentes
  8. Referências

Pode ser com as duas. A diretriz internacional de 2023 reuniu especialistas de ginecologia, endocrinologia, clínica geral, psicologia e outras áreas, e reconhece na SOP características que vão além do ciclo, como fatores de risco metabólicos, apneia do sono e questões emocionais [1]. O mais importante é ter uma médica que conheça a SOP, escute você e explique o que está acontecendo.

Ginecologista ou endocrinologista: quem pode acompanhar a SOP?

As duas podem acompanhar a SOP.

Sobre a ginecologista, vale olhar uma pesquisa. Em 2005, 7.000 ginecologistas de consultório na Alemanha receberam um questionário sobre como definem, investigam e cuidam da SOP [2]. As respostas mostraram um padrão uniforme na investigação e no cuidado, com as recomendações internacionais amplamente adotadas, embora ainda fosse difícil, para elas, ficar só nos critérios de diagnóstico definidos em 2003 [2]. É um estudo antigo e de outro país, mas mostra ginecologistas de consultório investigando e cuidando da SOP [2].

Quanto à endocrinologista, uma revisão sobre excesso de pelos diz que o encaminhamento a ela pode ser indicado quando se suspeita de uma condição endócrina de base [3]. O mesmo texto aponta a SOP como a condição endócrina mais comum associada ao excesso de pelos [3].

Na prática, vale começar por quem está ao seu alcance e conversar com ela sobre um encaminhamento, se for o caso. Nenhuma das duas portas está errada.

O cuidado da SOP envolve uma equipe?

Pode envolver, sim. A diretriz internacional foi feita com painéis de pediatria, endocrinologia, ginecologia, clínica geral, endocrinologia da reprodução, obstetrícia, psiquiatria, psicologia, nutrição, fisiologia do exercício e outras áreas, e com mulheres que têm SOP participando de todas as etapas [1]. Ela destaca a necessidade de informação de qualidade para quem tem SOP, de melhores modelos de cuidado e de decisão compartilhada [1].

Um posicionamento sobre exercício na SOP também descreve o cuidado como o trabalho de uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos e outros profissionais de saúde [4]. O mesmo texto diz que as mudanças de hábitos, que podem incluir programas de exercício conduzidos por profissionais treinados, são consideradas estratégias de primeira linha no cuidado da SOP [4].

O lado emocional faz parte dessa conversa. Um estudo recente lembra que o aspecto psicológico da SOP muitas vezes é subestimado no atendimento [5]. Se o humor, a ansiedade ou a imagem do corpo pesam, fale disso na consulta. A diretriz internacional também dá ênfase ao bem-estar emocional e à qualidade de vida [1].

Por que o diagnóstico da SOP demora tanto?

Em um estudo com 1.385 mulheres com SOP, cerca de um terço esperou mais de dois anos pelo diagnóstico, e quase metade passou por três ou mais profissionais antes de recebê-lo [6]. Poucas ficaram satisfeitas com a experiência do diagnóstico, e menos ainda com as informações que receberam [6]. A diretriz internacional reconhece que o diagnóstico continua tardio e que as necessidades de quem tem SOP ainda não estão bem atendidas [1]. Ela também descreve o peso da SOP como pouco reconhecido e pede mais formação dos profissionais de saúde [1].

Nesse mesmo estudo, passar por cinco ou mais profissionais e esperar mais de dois anos andaram junto com menos satisfação com a experiência do diagnóstico [6]. Chegar com o seu histórico anotado dá à médica algo concreto para avaliar, e vale pedir que ela explique de novo o que não ficou claro.

E se a SOP começou na adolescência?

Na adolescência, reconhecer o excesso de hormônios masculinos é mais difícil, porque os sinais se misturam com as mudanças normais da puberdade [7]. As recomendações internacionais para adolescentes pedem dois sinais ao mesmo tempo: ciclos irregulares, definidos pelo tempo desde a primeira menstruação, e excesso de hormônios masculinos, depois de descartar outras causas [8]. Quem tem só um dos dois pode ser considerada “em risco” de SOP, com cuidado dos sintomas e acompanhamento [8].

Uma revisão de 2025 diz que o cuidado de adolescentes com excesso de hormônios masculinos pede várias áreas: endocrinologia, ginecologia, dermatologia e psicologia [7]. As recomendações também falam em planejar a saúde ao longo da vida, com decisão compartilhada, e em preparar a passagem para o atendimento de adultas [8].

O que falar na primeira consulta?

Quanto mais concreto o que você leva, melhor a conversa. Vale levar:

  • as datas das últimas menstruações e a duração dos seus ciclos;
  • os sintomas que mais aparecem e desde quando, como acne, excesso de pelos, queda de cabelo, cansaço ou mudanças de humor;
  • os remédios e suplementos que você usa;
  • exames e laudos anteriores, com as datas;
  • as suas dúvidas, da mais importante para a menos.

Diga também o que mais pesa para você, seja o ciclo, a pele, o humor ou a vontade de engravidar. A diretriz internacional destaca a decisão compartilhada para melhorar a experiência de quem tem SOP [1].

A lista de perguntas para levar está na consulta guiada, e o relatório para a consulta reúne em PDF o que você registrou desde a última visita.

Como saber se a consulta foi boa?

Uma boa consulta deixa você entendendo o que a médica pensa, por que ela pediu cada exame e quais são os próximos passos. No estudo com mulheres com SOP, a satisfação com a informação recebida andou junto com a satisfação com o diagnóstico [6]. Uma estratégia proposta para apoiar a mudança de hábitos na SOP também começa por informar e destaca a importância de ouvir a pessoa [9].

Se você saiu com dúvidas, tudo bem pedir a explicação de novo, anotar o que ficou em aberto e voltar com a lista. Também é um direito seu buscar uma segunda opinião.

No fim, o título da especialidade importa menos do que a conversa. Comece por quem for possível agora, leve o seu histórico e as suas dúvidas e combine com a sua médica se vale ampliar a equipe. Nenhum site ou app substitui o acompanhamento dela.

Perguntas frequentes

SOP é com ginecologista ou endocrinologista?

Pode ser com as duas. A diretriz internacional de 2023 reuniu especialistas de ginecologia, endocrinologia, clínica geral, psicologia e outras áreas, e reconhece na SOP características que vão além do ciclo [1]. O mais importante é ter uma médica que conheça a SOP e escute você.

Qual médica acompanha a SOP?

Ginecologistas de consultório investigam e cuidam da SOP, como mostra uma pesquisa feita na Alemanha [2]. O cuidado pode envolver uma equipe, com endocrinologia, psicologia e outras áreas [1, 4].

Quando procurar uma endocrinologista?

Uma revisão sobre excesso de pelos indica que o encaminhamento à endocrinologista pode fazer sentido quando se suspeita de uma condição endócrina de base [3]. Quem avalia se é o seu caso é a médica que acompanha você.

O que falar na primeira consulta de SOP?

Leve as datas das menstruações, os sintomas que mais incomodam, os remédios que você usa e as suas dúvidas. Vale falar também do humor e do bem-estar emocional, porque esse lado muitas vezes é subestimado no atendimento [5].

Por que o diagnóstico da SOP demora tanto?

Em um estudo com mais de mil mulheres com SOP, cerca de um terço esperou mais de dois anos pelo diagnóstico e quase metade passou por três ou mais profissionais [6]. A diretriz internacional reconhece que o diagnóstico ainda é tardio e pede mais formação dos profissionais de saúde [1].

A SOP na adolescência é com qual médica?

Uma revisão sobre excesso de hormônios masculinos na adolescência indica que o cuidado pede várias áreas: endocrinologia, ginecologia, dermatologia e psicologia [7]. As recomendações internacionais também falam em preparar a passagem para o atendimento de adultas [8].

Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.

Referências

Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.

  1. Referência 1: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.

  2. Referência 2: Doll I, Doll R, Buhling KJ. Diagnosis and therapy of polycystic ovarian syndrome: results of a survey among German gynecologists with a review on literature. Archives of gynecology and obstetrics, 2012.

  3. Referência 3: Vedak P. Hair and Nail Conditions: Hypertrichosis and Hirsutism. FP essentials, 2022.

  4. Referência 4: Sabag A, Patten RK, et al. Exercise in the management of polycystic ovary syndrome: A position statement from Exercise and Sports Science Australia. Journal of science and medicine in sport, 2024.

  5. Referência 5: Hofmann K, Decrinis C, et al. Body image and mental health in women with polycystic ovary syndrome-a cross-sectional study. Archives of gynecology and obstetrics, 2025.

  6. Referência 6: Gibson-Helm M, Teede H, et al. Delayed Diagnosis and a Lack of Information Associated With Dissatisfaction in Women With Polycystic Ovary Syndrome. The Journal of clinical endocrinology and metabolism, 2017.

  7. Referência 7: Concepción-Zavaleta MJ, Fuentes-Mendoza JM, et al. Adolescent hyperandrogenism: diagnostic challenges and therapeutic approaches. World journal of pediatrics : WJP, 2025.

  8. Referência 8: Peña AS, Witchel SF, et al. International evidence-based recommendations for polycystic ovary syndrome in adolescents. BMC medicine, 2025.

  9. Referência 9: Del Pup L, Cagnacci A. IMPROVE lifestyle in polycystic ovary syndrome: a systematic strategy. Gynecological endocrinology : the official journal of the International Society of Gynecological Endocrinology, 2021.

Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.