Exames da SOP: quais costumam ser pedidos e para quê

Exames da SOP: quais costumam ser pedidos, o que cada um mostra (sangue, ultrassom, AMH) e como levar os resultados para a sua médica.

Por Equipe Sophy Publicado em 5 min de leitura

Neste artigo
  1. Qual exame de sangue detecta a SOP?
  2. Quais exames a médica costuma pedir para quem tem SOP?
  3. Quais hormônios ficam alterados na SOP?
  4. Ultrassom ou AMH: o que muda?
  5. Por que a médica também olha o lado metabólico?
  6. E se eu quero engravidar, há outros exames?
  7. Como levar os seus exames para a consulta?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Nenhum exame sozinho confirma a SOP, porque em adultas o diagnóstico segue dois de três critérios: sinais de excesso de hormônios masculinos, clínicos ou nos exames; ovulação irregular; e um padrão específico dos ovários ou o AMH elevado [1]. Por isso, a médica reúne a sua história, o exame físico e os exames, e é ela quem lê o conjunto [2].

Qual exame de sangue detecta a SOP?

Nenhum, sozinho. Os critérios misturam sinais que a médica vê no corpo, a história dos seus ciclos e o aspecto dos ovários, então um resultado isolado não fecha o diagnóstico [1, 3].

Os três critérios, em linguagem simples:

  • Excesso de hormônios masculinos, os andrógenos. Pode ser clínico, como o excesso de pelos e a acne [3, 4], ou bioquímico, isto é, visto nos exames hormonais [2].
  • Ovulação irregular. Aparece como ciclos irregulares [3].
  • Ovários. O ultrassom mostra o aspecto deles, ou o nível de AMH, um hormônio, aparece elevado [1].

Há ainda quatro combinações reconhecidas desses critérios, chamadas de fenótipos, e cada uma tem implicações diferentes para a saúde a longo prazo [2]. Uma revisão recomenda que a médica registre qual é o seu fenótipo ao fechar o diagnóstico [2].

Quais exames a médica costuma pedir para quem tem SOP?

Uma revisão descreve a avaliação de quem pode ter SOP como um conjunto de peças [2]:

  • a sua história e o exame físico, com atenção ao excesso de pelos;
  • o ultrassom dos ovários;
  • exames hormonais, para confirmar o excesso de andrógenos e a ovulação irregular quando for preciso;
  • exames para descartar outras condições parecidas com a SOP.

Nem todas fazem os mesmos exames: segundo a mesma revisão, os exames hormonais entram quando for preciso [2]. Por isso, a sua lista de exames pode ser diferente da lista de uma amiga com o mesmo diagnóstico.

As seções a seguir explicam cada parte e mostram o que mais pode entrar na conversa. Quais exames fazem sentido para você, quem define é a sua médica.

Quais hormônios ficam alterados na SOP?

Uma revisão de 2024 reuniu o que se sabe sobre os hormônios na SOP. Ela descreve alterações em vários deles, como a insulina, os andrógenos, o estrogênio e a relação entre LH e FSH [5]. Segundo os autores, andrógenos mais altos, estrogênio mais baixo e LH basal alto aparecem na SOP e se ligam à dificuldade para engravidar, e a insulina mais alta se liga a uma maior frequência de diabetes [5].

Isso descreve o grupo, não uma pessoa. Os resultados são lidos junto com o seu ciclo, os seus sinais e o exame físico [2]. Quem interpreta os seus números é a sua médica.

Ultrassom ou AMH: o que muda?

Os dois entram no mesmo critério, o dos ovários [1]. O ultrassom mostra o aspecto dos ovários, a chamada morfologia ovariana [1]. O AMH é o hormônio antimülleriano, e o que se olha é o nível dele [1]. A diretriz internacional de 2023 incluiu o AMH como alternativa ao ultrassom, mas só em adultas [6].

Se você já fez um ultrassom ou um AMH, guarde o laudo com a data: a sua médica pode querer saber quando e onde foram feitos.

Na adolescência, a regra é outra. Nessa fase, o diagnóstico pede ciclos irregulares e excesso de andrógenos ao mesmo tempo, e o ultrassom não é recomendado [7]. O AMH também fica de fora [1], e uma revisão explica que o aspecto dos ovários não entra nessa fase por ser pouco específico [3].

Por que a médica também olha o lado metabólico?

Porque a SOP vai além do ciclo: a diretriz de 2023 reforçou o reconhecimento de fatores de risco metabólicos, de doença cardiovascular, de apneia do sono e de questões emocionais muito frequentes [6].

Por isso, uma revisão afirma que é essencial rastrear condições que costumam vir junto com a SOP, como diabetes tipo 2, alterações das gorduras no sangue, gordura no fígado, apneia do sono, ansiedade e depressão [8].

Rastrear é procurar com antecedência, e não quer dizer que você tenha alguma dessas condições. Quais exames entram nesse acompanhamento, a sua médica escolhe conforme o seu caso.

E se eu quero engravidar, há outros exames?

Se o plano é engravidar, a conversa pode incluir outros exames. Uma revisão sobre SOP e infertilidade descreve a investigação da dificuldade para engravidar como uma história completa, com exames físico, ginecológico e endócrino, além de testes da função e da reserva dos ovários, do útero e da permeabilidade das trompas [9]. Esse roteiro vale para a investigação da infertilidade feminina em geral, e não só na SOP [9].

Quais deles fazem sentido para você, e em que ordem, é uma decisão para tomar com a sua médica.

Como levar os seus exames para a consulta?

O caminho até o diagnóstico da SOP costuma levar tempo e várias consultas [1]. Chegar com tudo organizado ajuda você a não esquecer nada. Leve:

  • os laudos de exames anteriores, com as datas, inclusive os de ultrassom;
  • as datas das últimas menstruações e a duração dos seus ciclos;
  • os sintomas que mais aparecem e desde quando, como acne, excesso de pelos, cansaço ou mudanças de humor;
  • os remédios e suplementos que você usa;
  • as suas dúvidas, da mais importante para a menos.

Algumas perguntas que ajudam:

  • Quais exames fazem sentido no meu caso, e para quê?
  • Preciso repetir algum deles? Quando?
  • O que esse resultado muda no meu cuidado?
  • Há algo do lado metabólico que eu deva acompanhar?

Para juntar tudo num só lugar, veja o relatório para a consulta, que reúne sintomas, ciclo, humor e remédios desde a última visita, e a consulta guiada, para organizar as suas perguntas.

Os exames são o ponto de partida da conversa, e não o veredito. A diretriz internacional destaca a decisão compartilhada entre você e a equipe de saúde [6]. Então leve as suas dúvidas e peça à sua médica que explique, com calma, o que cada resultado significa para você e quais são os próximos passos.

Perguntas frequentes

Qual exame de sangue detecta SOP?

Nenhum exame de sangue sozinho confirma a SOP, porque em adultas o diagnóstico segue dois de três critérios: excesso de hormônios masculinos (clínico ou nos exames), ovulação irregular, e um padrão específico dos ovários ou o AMH elevado [1]. A avaliação junta a sua história, o exame físico e os exames, e quem lê o conjunto é a sua médica [2].

Quais exames pedir para quem tem SOP?

Quem escolhe é a sua médica. A avaliação inclui a história, o exame físico, o ultrassom dos ovários e exames hormonais, para confirmar o excesso de andrógenos e a ovulação irregular quando for preciso e para descartar condições parecidas [2]. Também entra o rastreio de condições metabólicas [8].

Quais hormônios ficam alterados na SOP?

Uma revisão de 2024 descreve alterações em vários hormônios, como a insulina, os andrógenos, o estrogênio e a relação entre LH e FSH [5]. Quem interpreta os seus resultados é a sua médica.

O AMH substitui o ultrassom?

Em adultas, a diretriz internacional de 2023 aceita o AMH como alternativa ao ultrassom [6]. Na adolescência, nenhum dos dois entra no diagnóstico [1].

Preciso de exames diferentes se quero engravidar?

A investigação da dificuldade para engravidar tem etapas próprias, como a avaliação da função e da reserva dos ovários, do útero e das trompas [9]. A sua médica define quais fazem sentido para você.

Por que o diagnóstico da SOP demora?

Uma revisão aponta que o caminho até o diagnóstico costuma levar tempo e várias consultas [1]. Anotar o seu ciclo e os seus sintomas dá à médica algo concreto para avaliar.

Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.

Referências

Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.

  1. Referência 1: Stener-Victorin E, Teede H, et al. Polycystic ovary syndrome. Nature reviews. Disease primers, 2024.

  2. Referência 2: Azziz R. Polycystic Ovary Syndrome. Obstetrics and gynecology, 2018.

  3. Referência 3: Joham AE, Norman RJ, et al. Polycystic ovary syndrome. The lancet. Diabetes & endocrinology, 2022.

  4. Referência 4: Stańczak NA, Grywalska E, Dudzińska E. The latest reports and treatment methods on polycystic ovary syndrome. Annals of medicine, 2024.

  5. Referência 5: Yang J, Chen C. Hormonal changes in PCOS. The Journal of endocrinology, 2024.

  6. Referência 6: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.

  7. Referência 7: Saleh FL, Starkman H, et al. Polycystic Ovary Syndrome in Adolescents. Obstetrics and gynecology clinics of North America, 2024.

  8. Referência 8: Shrivastava S, Conigliaro RL. Polycystic Ovarian Syndrome. The Medical clinics of North America, 2023.

  9. Referência 9: Collée J, Mawet M, et al. Polycystic ovarian syndrome and infertility: overview and insights of the putative treatments. Gynecological endocrinology : the official journal of the International Society of Gynecological Endocrinology, 2021.

Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.