Exames da SOP: quais costumam ser pedidos e para quê
Exames da SOP: quais costumam ser pedidos, o que cada um mostra (sangue, ultrassom, AMH) e como levar os resultados para a sua médica.
Neste artigo
- Qual exame de sangue detecta a SOP?
- Quais exames a médica costuma pedir para quem tem SOP?
- Quais hormônios ficam alterados na SOP?
- Ultrassom ou AMH: o que muda?
- Por que a médica também olha o lado metabólico?
- E se eu quero engravidar, há outros exames?
- Como levar os seus exames para a consulta?
- Perguntas frequentes
- Referências
Nenhum exame sozinho confirma a SOP, porque em adultas o diagnóstico segue dois de três critérios: sinais de excesso de hormônios masculinos, clínicos ou nos exames; ovulação irregular; e um padrão específico dos ovários ou o AMH elevado [1]. Por isso, a médica reúne a sua história, o exame físico e os exames, e é ela quem lê o conjunto [2].
Qual exame de sangue detecta a SOP?
Nenhum, sozinho. Os critérios misturam sinais que a médica vê no corpo, a história dos seus ciclos e o aspecto dos ovários, então um resultado isolado não fecha o diagnóstico [1, 3].
Os três critérios, em linguagem simples:
- Excesso de hormônios masculinos, os andrógenos. Pode ser clínico, como o excesso de pelos e a acne [3, 4], ou bioquímico, isto é, visto nos exames hormonais [2].
- Ovulação irregular. Aparece como ciclos irregulares [3].
- Ovários. O ultrassom mostra o aspecto deles, ou o nível de AMH, um hormônio, aparece elevado [1].
Há ainda quatro combinações reconhecidas desses critérios, chamadas de fenótipos, e cada uma tem implicações diferentes para a saúde a longo prazo [2]. Uma revisão recomenda que a médica registre qual é o seu fenótipo ao fechar o diagnóstico [2].
Quais exames a médica costuma pedir para quem tem SOP?
Uma revisão descreve a avaliação de quem pode ter SOP como um conjunto de peças [2]:
- a sua história e o exame físico, com atenção ao excesso de pelos;
- o ultrassom dos ovários;
- exames hormonais, para confirmar o excesso de andrógenos e a ovulação irregular quando for preciso;
- exames para descartar outras condições parecidas com a SOP.
Nem todas fazem os mesmos exames: segundo a mesma revisão, os exames hormonais entram quando for preciso [2]. Por isso, a sua lista de exames pode ser diferente da lista de uma amiga com o mesmo diagnóstico.
As seções a seguir explicam cada parte e mostram o que mais pode entrar na conversa. Quais exames fazem sentido para você, quem define é a sua médica.
Quais hormônios ficam alterados na SOP?
Uma revisão de 2024 reuniu o que se sabe sobre os hormônios na SOP. Ela descreve alterações em vários deles, como a insulina, os andrógenos, o estrogênio e a relação entre LH e FSH [5]. Segundo os autores, andrógenos mais altos, estrogênio mais baixo e LH basal alto aparecem na SOP e se ligam à dificuldade para engravidar, e a insulina mais alta se liga a uma maior frequência de diabetes [5].
Isso descreve o grupo, não uma pessoa. Os resultados são lidos junto com o seu ciclo, os seus sinais e o exame físico [2]. Quem interpreta os seus números é a sua médica.
Ultrassom ou AMH: o que muda?
Os dois entram no mesmo critério, o dos ovários [1]. O ultrassom mostra o aspecto dos ovários, a chamada morfologia ovariana [1]. O AMH é o hormônio antimülleriano, e o que se olha é o nível dele [1]. A diretriz internacional de 2023 incluiu o AMH como alternativa ao ultrassom, mas só em adultas [6].
Se você já fez um ultrassom ou um AMH, guarde o laudo com a data: a sua médica pode querer saber quando e onde foram feitos.
Na adolescência, a regra é outra. Nessa fase, o diagnóstico pede ciclos irregulares e excesso de andrógenos ao mesmo tempo, e o ultrassom não é recomendado [7]. O AMH também fica de fora [1], e uma revisão explica que o aspecto dos ovários não entra nessa fase por ser pouco específico [3].
Por que a médica também olha o lado metabólico?
Porque a SOP vai além do ciclo: a diretriz de 2023 reforçou o reconhecimento de fatores de risco metabólicos, de doença cardiovascular, de apneia do sono e de questões emocionais muito frequentes [6].
Por isso, uma revisão afirma que é essencial rastrear condições que costumam vir junto com a SOP, como diabetes tipo 2, alterações das gorduras no sangue, gordura no fígado, apneia do sono, ansiedade e depressão [8].
Rastrear é procurar com antecedência, e não quer dizer que você tenha alguma dessas condições. Quais exames entram nesse acompanhamento, a sua médica escolhe conforme o seu caso.
E se eu quero engravidar, há outros exames?
Se o plano é engravidar, a conversa pode incluir outros exames. Uma revisão sobre SOP e infertilidade descreve a investigação da dificuldade para engravidar como uma história completa, com exames físico, ginecológico e endócrino, além de testes da função e da reserva dos ovários, do útero e da permeabilidade das trompas [9]. Esse roteiro vale para a investigação da infertilidade feminina em geral, e não só na SOP [9].
Quais deles fazem sentido para você, e em que ordem, é uma decisão para tomar com a sua médica.
Como levar os seus exames para a consulta?
O caminho até o diagnóstico da SOP costuma levar tempo e várias consultas [1]. Chegar com tudo organizado ajuda você a não esquecer nada. Leve:
- os laudos de exames anteriores, com as datas, inclusive os de ultrassom;
- as datas das últimas menstruações e a duração dos seus ciclos;
- os sintomas que mais aparecem e desde quando, como acne, excesso de pelos, cansaço ou mudanças de humor;
- os remédios e suplementos que você usa;
- as suas dúvidas, da mais importante para a menos.
Algumas perguntas que ajudam:
- Quais exames fazem sentido no meu caso, e para quê?
- Preciso repetir algum deles? Quando?
- O que esse resultado muda no meu cuidado?
- Há algo do lado metabólico que eu deva acompanhar?
Para juntar tudo num só lugar, veja o relatório para a consulta, que reúne sintomas, ciclo, humor e remédios desde a última visita, e a consulta guiada, para organizar as suas perguntas.
Os exames são o ponto de partida da conversa, e não o veredito. A diretriz internacional destaca a decisão compartilhada entre você e a equipe de saúde [6]. Então leve as suas dúvidas e peça à sua médica que explique, com calma, o que cada resultado significa para você e quais são os próximos passos.
Perguntas frequentes
Qual exame de sangue detecta SOP?
Nenhum exame de sangue sozinho confirma a SOP, porque em adultas o diagnóstico segue dois de três critérios: excesso de hormônios masculinos (clínico ou nos exames), ovulação irregular, e um padrão específico dos ovários ou o AMH elevado [1]. A avaliação junta a sua história, o exame físico e os exames, e quem lê o conjunto é a sua médica [2].
Quais exames pedir para quem tem SOP?
Quais hormônios ficam alterados na SOP?
Uma revisão de 2024 descreve alterações em vários hormônios, como a insulina, os andrógenos, o estrogênio e a relação entre LH e FSH [5]. Quem interpreta os seus resultados é a sua médica.
O AMH substitui o ultrassom?
Preciso de exames diferentes se quero engravidar?
A investigação da dificuldade para engravidar tem etapas próprias, como a avaliação da função e da reserva dos ovários, do útero e das trompas [9]. A sua médica define quais fazem sentido para você.
Por que o diagnóstico da SOP demora?
Uma revisão aponta que o caminho até o diagnóstico costuma levar tempo e várias consultas [1]. Anotar o seu ciclo e os seus sintomas dá à médica algo concreto para avaliar.
Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.
Referências
Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.
Referência 1: Stener-Victorin E, Teede H, et al. Polycystic ovary syndrome. Nature reviews. Disease primers, 2024.
PubMed 38637590 (abre em nova aba) DOI10.1038/s41572-024-00511-3 (abre em nova aba)
Referência 2: Azziz R. Polycystic Ovary Syndrome. Obstetrics and gynecology, 2018.
PubMed 29995717 (abre em nova aba) DOI10.1097/AOG.0000000000002698 (abre em nova aba)
Referência 3: Joham AE, Norman RJ, et al. Polycystic ovary syndrome. The lancet. Diabetes & endocrinology, 2022.
PubMed 35934017 (abre em nova aba) DOI10.1016/S2213-8587(22)00163-2 (abre em nova aba)
Referência 4: Stańczak NA, Grywalska E, Dudzińska E. The latest reports and treatment methods on polycystic ovary syndrome. Annals of medicine, 2024.
PubMed 38965663 (abre em nova aba) DOI10.1080/07853890.2024.2357737 (abre em nova aba)
Referência 5: Yang J, Chen C. Hormonal changes in PCOS. The Journal of endocrinology, 2024.
PubMed 38285626 (abre em nova aba) DOI10.1530/JOE-23-0342 (abre em nova aba)
Referência 6: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.
PubMed 37580037 (abre em nova aba) DOI10.1093/humrep/dead156 (abre em nova aba)
Referência 7: Saleh FL, Starkman H, et al. Polycystic Ovary Syndrome in Adolescents. Obstetrics and gynecology clinics of North America, 2024.
PubMed 39510738 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.ogc.2024.08.005 (abre em nova aba)
Referência 8: Shrivastava S, Conigliaro RL. Polycystic Ovarian Syndrome. The Medical clinics of North America, 2023.
PubMed 36759093 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.mcna.2022.10.004 (abre em nova aba)
Referência 9: Collée J, Mawet M, et al. Polycystic ovarian syndrome and infertility: overview and insights of the putative treatments. Gynecological endocrinology : the official journal of the International Society of Gynecological Endocrinology, 2021.
PubMed 34338572 (abre em nova aba) DOI10.1080/09513590.2021.1958310 (abre em nova aba)
Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.