Queda de cabelo na SOP: qual é a relação e quando investigar
Queda de cabelo na SOP: veja a relação com os hormônios, outras causas possíveis e quando vale levar o assunto à sua médica.
Neste artigo
A queda de cabelo de padrão feminino é mais comum entre mulheres com SOP e está associada ao excesso de androgênios, embora o mecanismo ainda não esteja claro [1]. Mas nem toda queda vem da SOP: existem outros tipos de queda de cabelo, e eles podem aparecer juntos [2, 3]. Por isso, vale investigar quando a queda incomoda você, e é a avaliação médica que separa uma causa da outra [3].
Por que a SOP pode afetar o cabelo?
A SOP é suspeitada quando há ciclo irregular e sinais de excesso de androgênios, como acne, oleosidade, pelos em excesso e queda de cabelo [4]. Os androgênios agem nos folículos, que são as raízes dos fios [5]. A queda ligada a eles tem nome: alopecia androgenética feminina, ou queda de cabelo de padrão feminino [6].
A relação, porém, não é simples. Uma revisão de 2022 observa que a queda de padrão feminino é mais comum entre mulheres com SOP, mas pode existir mesmo com os androgênios normais no exame de sangue, e que o mecanismo ainda não está claro [1]. Em outras palavras, um exame de androgênios normal não descarta a queda de padrão feminino [1], e por isso a avaliação junta o exame clínico e os exames de laboratório [4].
A SOP também aparece com o nome novo proposto, SOMP. Entenda a mudança em SOP ou SOMP?.
Como é a queda de cabelo na SOP?
Em mulheres com excesso de androgênios, o padrão da queda varia: ela costuma aparecer no topo da cabeça, na coroa ou de forma espalhada pelo couro cabeludo [5]. Quando o excesso é maior, ela pode atingir também as têmporas e a linha da frente do cabelo [5].
É uma queixa frequente e que pesa: uma revisão de dermatologia de 2023 descreve a queda de cabelo de padrão feminino como muito comum e com grande impacto na qualidade de vida [6].
E o cabelo oleoso, tem relação?
Pode ter. A oleosidade, que os médicos chamam de seborreia, está na lista de sinais de excesso de androgênios que levam a pensar em SOP, junto com acne, pelos em excesso, ciclo irregular e queda de cabelo [4]. O resumo da revisão não diz se a oleosidade é do rosto ou do couro cabeludo, então vale contar à médica onde você nota.
Se você nota o cabelo mais oleoso e mais ralo no mesmo período, vale anotar as duas coisas e contar para a sua médica. Elas ajudam a mostrar o seu padrão.
O que mais pode causar queda de cabelo?
A queda androgenética, a ligada aos androgênios, é a forma mais comum de perda de cabelo em mulheres [2], mas não é a única. Há bastante coisa a considerar, e é por isso que a investigação importa:
- Outros tipos de perda de cabelo, como a alopecia areata, o eflúvio telógeno e as alopecias cicatriciais [2].
- Falta de alguns nutrientes, em especial ferro e vitamina D [2].
- Mais de um tipo ao mesmo tempo: a queda de padrão feminino e o eflúvio telógeno podem coexistir [3].
Separar a queda de padrão feminino do eflúvio telógeno, ou perceber que são os dois, é um dos maiores desafios da avaliação, e acertar a causa é essencial para um bom cuidado [3]. Por isso, a resposta para a pergunta “é a SOP?” sai da consulta, e não de um palpite.
Quando vale investigar a queda de cabelo?
Quando ela incomoda você, já vale levar o assunto à consulta. A queda de cabelo faz parte do que o cuidado da SOP deve incluir, ao lado dos pelos em excesso e da acne [5]. Na consulta, a avaliação da SOP combina a sua história, o exame físico e exames de laboratório [5]. E vale marcar com mais razão quando a queda vem junto com ciclo irregular, acne, pelos em excesso ou oleosidade, porque é esse conjunto que leva a médica a pensar em SOP [4].
Também não é um detalhe estético. Uma revisão de 2022 aponta a acne, a queda de cabelo e os pelos em excesso entre os fatores ligados à autoestima mais baixa de mulheres com SOP [7]. A mesma revisão observa que a depressão é mais frequente na SOP do que na população geral [7]. A diretriz internacional de 2023 reforça o cuidado com o bem-estar emocional e a qualidade de vida e destaca que sinais psicológicos são muito frequentes na SOP [8]. Um artigo sobre queda difusa de cabelo descreve impacto na qualidade de vida, na autoestima e no estresse [3]. Se o cabelo está mexendo com o seu humor, conte isso também.
O que a médica pode propor?
Não existe um caminho único, e a literatura é franca sobre isso: muitas opções para a queda de padrão feminino têm evidência limitada e muitas vezes ficam aquém do que a pessoa espera [6]. Para os casos mais extensos ou que não respondem, há também recursos de camuflagem [6].
Faltam estudos controlados, com acompanhamento ao longo do tempo, para comparar as opções e as suas combinações [6]. Entre as opções mais novas, o laser de baixa intensidade e o plasma rico em plaquetas ainda têm poucos dados de eficácia [1].
Na SOP, a conversa pode incluir remédios que reduzem os androgênios, como os anticoncepcionais orais, e remédios que bloqueiam o efeito deles no folículo [5]. A escolha do antiandrogênico é guiada pelos sintomas [5]. Quem define se algum deles faz sentido para você, a dose e o tempo de uso é a sua médica.
Dois cuidados aparecem em uma revisão de 2022. O primeiro: opções comuns para estimular o crescimento do cabelo podem aumentar pelos indesejados, e isso pode ser contornado com recursos estéticos [1]. O segundo: os planos de gravidez devem ser bem conversados antes de começar qualquer cuidado [1]. Por isso, conte à sua médica se você pretende engravidar.
E os suplementos? Em um ensaio com 64 mulheres com SOP, o magnésio por dez semanas melhorou a qualidade de vida, mas não mudou a queda de cabelo nem a acne em comparação com o placebo [9]. Antes de comprar um suplemento “para o cabelo”, converse com a médica: o excesso de suplementos, em especial de biotina, pode atrapalhar o resultado de exames [2].
O que levar para a consulta?
Algumas anotações deixam a conversa mais objetiva:
- quando você notou a mudança e se ela piorou em alguma fase;
- em que parte da cabeça o cabelo está mais ralo;
- se há outros sinais ao mesmo tempo, como ciclo irregular, acne, pelos ou oleosidade;
- remédios e suplementos que você usa hoje;
- se você pretende engravidar, porque isso entra na escolha do cuidado [1].
Para organizar as dúvidas, veja também o que perguntar ao ginecologista sobre SOP.
A queda de cabelo na SOP é uma queixa conhecida, ligada ao excesso de androgênios [1]. O que fazer depende da causa [3] e dos seus planos [1], e a decisão é compartilhada entre você e a sua médica [8]. Leve as suas anotações, as suas perguntas e também o quanto isso pesa para você: a consulta é o lugar para tudo isso.
Perguntas frequentes
A SOP causa queda de cabelo?
Há relação. A queda de cabelo de padrão feminino é mais comum entre mulheres com SOP e está associada ao excesso de androgênios, mas o mecanismo ainda não está claro e ela pode aparecer mesmo com os androgênios normais no exame de sangue [1]. Nem toda queda vem da SOP, por isso vale uma avaliação médica [2, 3].
Como é a queda de cabelo de quem tem SOP?
A SOP deixa o cabelo oleoso?
Pode ter relação. A oleosidade, chamada de seborreia, está na lista de sinais de excesso de androgênios que levam a pensar em SOP, ao lado de acne, pelos em excesso e queda de cabelo [4]. Conte à médica onde você nota a oleosidade.
Que outras causas de queda de cabelo existem?
Suplemento ajuda na queda de cabelo da SOP?
Quando procurar a médica por causa da queda de cabelo?
Quando ela incomoda você. Vale marcar com mais razão se vier junto com ciclo irregular, acne, pelos em excesso ou oleosidade, o conjunto que leva a médica a pensar em SOP [4].
Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.
Referências
Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.
Referência 1: Jiang VS, Hawkins SD, McMichael A. Female pattern hair loss and polycystic ovarian syndrome: more than just hirsutism. Current opinion in endocrinology, diabetes, and obesity, 2022.
PubMed 36226726 (abre em nova aba) DOI10.1097/MED.0000000000000777 (abre em nova aba)
Referência 2: Leavitt A, Hawkins SD, et al. Addressing the Root Causes of Female Hair Loss and Non-Pharmaceutical Interventions. Journal of drugs in dermatology : JDD, 2025.
PubMed 40627570 (abre em nova aba) DOI10.36849/JDD.8763 (abre em nova aba)
Referência 3: Torres F, Tosti A. Female pattern alopecia and telogen effluvium: figuring out diffuse alopecia. Seminars in cutaneous medicine and surgery, 2015.
PubMed 26176282 (abre em nova aba) DOI10.12788/j.sder.2015.0142 (abre em nova aba)
Referência 4: Madnani N, Khan K, et al. Polycystic ovarian syndrome. Indian journal of dermatology, venereology and leprology, 2013.
PubMed 23619436 (abre em nova aba) DOI10.4103/0378-6323.110759 (abre em nova aba)
Referência 5: Goodman NF, Cobin RH, et al. AMERICAN ASSOCIATION OF CLINICAL ENDOCRINOLOGISTS, AMERICAN COLLEGE OF ENDOCRINOLOGY, AND ANDROGEN EXCESS AND PCOS SOCIETY DISEASE STATE CLINICAL REVIEW: GUIDE TO THE BEST PRACTICES IN THE EVALUATION AND TREATMENT OF POLYCYSTIC OVARY SYNDROME--PART 1. Endocrine practice : official journal of the American College of Endocrinology and the American Association of Clinical Endocrinologists, 2015.
PubMed 26509855 (abre em nova aba) DOI10.4158/EP15748.DSC (abre em nova aba)
Referência 6: Müller Ramos P, Melo DF, et al. Female-pattern hair loss: therapeutic update. Anais brasileiros de dermatologia, 2023.
PubMed 37003900 (abre em nova aba) DOI10.1016/j.abd.2022.09.006 (abre em nova aba)
Referência 7: Kolhe JV, Chhipa AS, et al. PCOS and Depression: Common Links and Potential Targets. Reproductive sciences (Thousand Oaks, Calif.), 2022.
PubMed 34642910 (abre em nova aba) DOI10.1007/s43032-021-00765-2 (abre em nova aba)
Referência 8: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.
PubMed 37580037 (abre em nova aba) DOI10.1093/humrep/dead156 (abre em nova aba)
Referência 9: Jaripur M, Ghasemi-Tehrani H, et al. The effects of magnesium supplementation on abnormal uterine bleeding, alopecia, quality of life, and acne in women with polycystic ovary syndrome: a randomized clinical trial. Reproductive biology and endocrinology : RB&E, 2022.
PubMed 35918728 (abre em nova aba) DOI10.1186/s12958-022-00982-7 (abre em nova aba)
Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.