É normal ficar meses sem menstruar com SOP?

SOP sem menstruar por meses é comum? Veja o primeiro passo, quando falar com a médica e o que mais pode explicar a menstruação ausente.

Por Equipe Sophy Publicado em 5 min de leitura

Neste artigo
  1. Por que a SOP faz a menstruação sumir por meses?
  2. Qual é o primeiro passo quando a menstruação some?
  3. Quantos meses sem menstruar pedem uma consulta?
  4. Será que é só a SOP?
  5. Por que a médica olha o útero quando a menstruação some por muito tempo?
  6. E se eu ainda sou adolescente?
  7. O que levar para a consulta?
  8. Perguntas frequentes
  9. Referências

Ficar meses sem menstruar pode fazer parte da SOP, que se caracteriza por menstruações raras ou ausentes [1]. Mas isso não quer dizer que seja sem importância: se existe qualquer chance de gravidez, o primeiro passo é um teste de gravidez, que as orientações para médicos recomendam oferecer a todas as pacientes sem menstruação [2]. Essas orientações também pedem avaliação quando a menstruação some por 3 meses em quem tinha ciclo regular, ou por 6 meses em quem tinha ciclo irregular [2].

Por que a SOP faz a menstruação sumir por meses?

Os médicos descrevem a SOP como uma condição com menstruação rara (oligomenorreia) ou ausente (amenorreia) e sinais de excesso de hormônios masculinos [1]. Ou seja, menstruar pouco ou deixar de menstruar faz parte do quadro de muitas pessoas com SOP [1].

A ovulação também entra no diagnóstico: nas adolescentes, ele exige ovulação rara (oligo-ovulação) junto com sinais de excesso de hormônios masculinos [1]. A causa da SOP ainda não é conhecida, mas a síndrome está associada à resistência à insulina, que por sua vez leva ao excesso desses hormônios [1].

Se você viu o nome SOMP por aí, a página SOP ou SOMP? explica a mudança.

Qual é o primeiro passo quando a menstruação some?

Se houve qualquer chance de gravidez, o primeiro passo é um teste de gravidez, mesmo que o seu ciclo costume ser irregular. As orientações para médicos recomendam oferecer esse teste a todas as pacientes sem menstruação [2].

Se o resultado for positivo, ou se você ficar na dúvida, fale com a sua médica.

Quantos meses sem menstruar pedem uma consulta?

As orientações para médicos descrevem a amenorreia secundária como a perda da menstruação por 3 meses em quem tinha ciclos regulares, ou por 6 meses em quem tinha ciclos irregulares, e dizem que essa situação merece avaliação [2]. É um marco usado por médicos, não uma contagem para assustar. As orientações lembram que o padrão da menstruação pode ser um indicador da saúde em geral e da sensação de bem-estar [2]. Por isso, o seu ciclo merece ser olhado com atenção, e não minimizado.

Se você chegou a esse tempo, vale marcar a consulta. Se ainda não chegou, mas a dúvida está pesando, também pode conversar com a sua médica. E se sentir dor forte, mal-estar ou qualquer coisa que assuste você, não espere pela consulta: procure atendimento.

Será que é só a SOP?

Nem sempre. Os médicos organizam as causas da ausência de menstruação em grupos: o caminho de saída da menstruação, a insuficiência dos ovários, o hipotálamo e a hipófise, outras glândulas, doenças crônicas, situações naturais, como a gravidez, e causas induzidas [2]. Por isso a avaliação não se limita à SOP.

Uma dessas causas é a amenorreia hipotalâmica funcional, ligada a estresse psicológico e social, alimentação desordenada ou exercício em excesso, de forma isolada ou combinada [3]. Ela responde por cerca de um terço dos casos de amenorreia secundária [3].

A amenorreia hipotalâmica funcional é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só é confirmada depois de afastadas as outras causas [3]. Por isso, separar uma causa da outra é trabalho da sua médica, com conversa e exames [2, 3].

Por que a médica olha o útero quando a menstruação some por muito tempo?

Quando a ovulação não acontece por muito tempo, o revestimento do útero, o endométrio, fica exposto ao estrogênio sem a progesterona que a ovulação traria [4]. Essa exposição prolongada é um dos principais fatores que explicam por que a SOP está associada a um risco maior de câncer de endométrio [4]. Por isso, a ausência prolongada de menstruação está entre os motivos que levam a médica a avaliar o endométrio, com ultrassom e, em alguns casos, biópsia [4].

As orientações para médicos também pedem rastreamento e cuidados para reduzir o risco metabólico e o risco para o endométrio em quem tem SOP [2]. É um cuidado de vigilância, para olhar a tempo [4], e não um motivo para susto. É também um dos motivos para não deixar o assunto para depois.

E se eu ainda sou adolescente?

Na adolescência, características que lembram a SOP fazem parte da puberdade normal, e por isso os critérios usados em adultas não servem bem para adolescentes [5]. Nessa fase, o diagnóstico de SOP exige os dois sinais juntos, ovulação rara e excesso de hormônios masculinos, e o ultrassom não é recomendado [1].

Se a sua menstruação some e você ainda é adolescente, a conversa com a médica é o melhor caminho.

O que levar para a consulta?

Quanto mais detalhe você levar, melhor. A orientação para médicos inclui conversar sobre como a menstruação começou e como ela se comporta, hábitos de alimentação e exercício, fontes de estresse, remédios em uso e outros sintomas [2]. Além do teste de gravidez, os exames de sangue que devem ser oferecidos a todas as pacientes olham os hormônios FSH, LH, prolactina e TSH, e outros exames são escolhidos caso a caso [2]. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva mantém um documento com os princípios dessa avaliação [6].

O que vale anotar:

  • as datas de menstruação e de escape, e há quantos dias você está sem menstruar;
  • se houve chance de gravidez e o resultado do teste;
  • mudanças recentes na rotina: estresse, sono, exercício e remédios;
  • outros sintomas que você notou.

No calendário da Sophy, a contagem de dias desde a última menstruação e o “Esqueci de registrar” ajudam a separar um ciclo longo de um mês em que faltou anotar. Leve esses registros para a consulta, junto com a lista de perguntas que você montar em como preparar a consulta.

A diretriz internacional de 2023 reconhece que o diagnóstico da SOP ainda demora e que nem sempre as necessidades de quem tem SOP são atendidas [7]. Por isso, ela pede mais informação e decisão compartilhada entre você e a equipe de saúde [7]. As orientações para médicos também reconhecem que quem fica sem menstruar se beneficia de tempo na consulta, sensibilidade e apoio emocional [2].

É isso que a consulta deve ser: uma conversa em que o seu ciclo é levado a sério, sem pânico e sem pressa de encerrar o assunto.

Perguntas frequentes

É normal ficar meses sem menstruar com SOP?

Pode fazer parte da SOP, que se caracteriza por menstruações raras ou ausentes [1], mas pede avaliação: as orientações para médicos falam em avaliar quando a menstruação some por 3 meses em quem tinha ciclo regular, ou por 6 meses em quem tinha ciclo irregular [2].

Estou há 3 meses sem menstruar e não estou grávida. O que pode ser?

Pode ser a SOP, mas há outras causas, como alterações do hipotálamo ligadas a estresse, alimentação desordenada ou exercício em excesso [3], alterações de outras glândulas ou a insuficiência dos ovários [2]. Quem separa as causas é a sua médica, com conversa e exames [2, 3].

Preciso fazer teste de gravidez se fico meses sem menstruar?

Se houve qualquer chance de gravidez, sim. As orientações para médicos recomendam oferecer o teste de gravidez a todas as pacientes sem menstruação [2].

Ficar muito tempo sem menstruar faz mal?

Quando a ovulação não acontece por muito tempo, o endométrio, o revestimento do útero, fica exposto ao estrogênio sem a progesterona da ovulação, e a ausência prolongada de menstruação é um dos motivos que levam a médica a avaliar o endométrio [4]. Por isso vale conversar sobre o assunto, e não esperar.

O que a médica pede para quem fica meses sem menstruar?

Ela conversa sobre a sua história menstrual, a sua rotina e os remédios que você usa, e as orientações para médicos recomendam oferecer a todas as pacientes o teste de gravidez e exames de sangue de FSH, LH, prolactina e TSH [2]. Outros exames dependem do caso [2].

Este artigo não substitui acompanhamento médico. Converse com a sua médica sobre o seu caso.

Referências

Os títulos ficam no idioma original da publicação. Cada número no texto leva à fonte daquela afirmação.

  1. Referência 1: Saleh FL, Starkman H, et al. Polycystic Ovary Syndrome in Adolescents. Obstetrics and gynecology clinics of North America, 2024.

  2. Referência 2: Klein DA, Paradise SL, Reeder RM. Amenorrhea: A Systematic Approach to Diagnosis and Management. American family physician, 2019.

  3. Referência 3: Saadedine M, Kapoor E, Shufelt C. Functional Hypothalamic Amenorrhea: Recognition and Management of a Challenging Diagnosis. Mayo Clinic proceedings, 2023.

  4. Referência 4: Dumesic DA, Lobo RA. Cancer risk and PCOS. Steroids, 2013.

  5. Referência 5: Witchel SF, Roumimper H, Oberfield S. Polycystic Ovary Syndrome in Adolescents. Endocrinology and metabolism clinics of North America, 2016.

  6. Referência 6: Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Electronic address: asrm@asrm.org. Current evaluation of amenorrhea: a committee opinion. Fertility and sterility, 2024.

  7. Referência 7: Teede HJ, Tay CT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†. Human reproduction (Oxford, England), 2023.

Escrito pela Equipe Sophy a partir das fontes acima, com checagem frase por frase. Veja como escrevemos.